O TESOURO ESCONDIDO DA SANTA MISSA: “Sim, Deus meu, inefável é minha alegria pela honra infinita que vossa Divina Majestade recebe deste augusto Sacrifício. Comprazo-me e alegro quanto sei e quanto posso”.

O TESOURO ESCONDIDO DA SANTA MISSA
São Leonardo de Porto-Maurício (1676-1751)

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5. O segundo método para participar com fruto da Santa Missa se pratica não por meio da leitura, nem tampouco durante o tempo do Sacrifício, mas contemplando com os olhos da fé a Jesus cravado na cruz, a fim de recolher em uma dulcíssima contem­plação os frutos preciosos que caem dessa árvore da vida.

Emprega-se, pois, todo o tempo da Santa Mi­ssa em um profundo recolhimento interior, se ocupando em considerar espiritualmente os divinos mistérios da Paixão e morte do Salvador, que não somente se representam, mas que também se reproduzem mis­ticamente sobre o altar. Os que seguem este método é indubitável que, se tiverem cuidado de conservarem uni­das a Deus as potências de sua alma, conseguirão se exerci­tar nos atos de fé, esperança, caridade e de todas as virtudes.

Esta maneira de participar da Missa é mais perfei­ta que a primeira, e ao mesmo tempo mais doce e mais suave, segundo experimentou um santo religioso leigo, o qual costumava dizer que participando da Missa não lia mais que três letras.

A primeira era negra, a saber, seus pecados, cuja consideração inspirava afetos de dor e arrependimento, e este era o ponto de sua meditação desde o princípio da Missa até o Ofertório.

A segunda era encarnada, a saber, a Paixão do Salvador, meditando-a desde o Ofertório até a Comunhão, sobre o preciosíssimo Sangue que Jesus derramou por nós e a morte cruel que sofreu no Calvário.

A terceira letra era branca, a saber, a Comunhão espiritual, que jamais omitia no momento que comungava o sacerdote, unindo-se de todo coração a Jesus, oculto sob as espécies sa­cramentais; depois do qual permanecia abisma­do em seu Deus e na consideração da glória, que esperava como fruto deste Divino Sacrifício. Este pobre religioso, apesar de não ter instrução, participava da Missa de uma maneira muito perfeita, e eu queria que todos aprendessem em sua escola uma ciência tão profunda.

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3. Terceiro método de participar da Santa Missa

6. O terceiro método para participar com fruto do san­to sacrifício da Missa tem a preferência sobre os anteriores. Não exige leitura, grande número de orações vocais como o primeiro, nem requer um es­pírito contemplativo como se necessita para seguir o segundo. No entanto, se se bem considerar, é o mais conformado ao espírito da Igreja, cujos desejos são que os fiéis fiquem unidos com os sentimentos do sa­cerdote. Este deve oferecer o Sacrifício pelas qua­tro finalidades indicadas na instrução precedente (n.° 8), por que este é o meio mais eficaz de cum­prir com as quatro obrigações que temos contraídas com Deus. Portanto, e porque quan­do participa da Missa desempenha de certa maneira as funções do sacerdote, deve se dedicar do melhor mo­do possível considerando as quatro finalidades in­dicadas, que serão muito fáceis por meio dos quatro oferecimentos que vou apresentar a você.

Eis aqui o método reduzido à prática. Pega este pequeno livro até aprender de memória estes oferecimentos, ou ao menos até penetrar bem no seu sentido, pois não se necessita sujeitar às pava­bras. Depois que começar a Missa e quando o sa­cerdote, humilhando-se sobre os degraus do altar, reze o Confiteor, faz um breve exame de seus pecados, experimente um ato de verdadeira contrição, pedindo humildemente ao Senhor que te perdoe, e implore os auxílios do Espírito Santo e a proteção da Vir­gem Santíssima para participar da Missa com todo o respeito e devoção possível. Em seguida, e para cumprir suce­ssivamente com as quatro importantíssimas obrigações de que falei, divida a Missa em quatro partes, o que poderá fazer do seguinte modo:

7. Na primeira parte, desde o princípio até o Evangelho, satisfará a primeira dívida, que con­siste em adorar e louvar a magestade de Deus, que é infinitamente digna de honras e louvores. Para isto humilhe-se profundamente em Jesus, abisme-se na consideração de seu nada, confesse sinceramente que nada é diante daquela imensa Majestade, e humilhado com a alma e o corpo (pois na Missa de­ve se guardar a postura mais respeitosa e modesta), diga-lhe:

“Oh, Deus meu! eu adoro-o e reconheço por meu Senhor e dono de minha alma e vida: eu protesto que tudo o que sou e quanto tenho o devo à vossa in­finita bondade. Bem sei que vossa soberana Majes­tade merece uma honra e homenagens infinitas; mas eu sou um pobrezinho impotente para pagar esta imen­sa dívida, portanto apresento-vos as humilhações e homenagens que o mesmo Jesus oferece sobre este altar.

“Eu quero fazer o mesmo que faz Jesus: eu me desfaleço com Jesus, e com Jesus me humilho diante de vossa suprema Majestade. Eu vos adoro com as mes­mas humilhações de meu Salvador. Eu me regozijo e me felicito de que meu Divino Jesus vos tribute por mim honras e homenagens infinitas”.

Aqui fecha o livro, e continua suscitando interiormente com iguais atos. Regozija-te de que Deus seja honrado infinitamente, e em algum intervalo repete uma e muitas vezes estas palavras:

“Sim, Deus meu, inefável é minha alegria pela honra infinita que vossa Divina Majestade recebe deste augusto Sacrifício. Comprazo-me e alegro quanto sei e quanto posso”.

Não te empenhes com afã em repetir à letra estas mesmas palavras: emprega livremente as que tua pie­dade te sugira. Sobretudo procura conservar-te em um profundo recolhimento e muito unido a Deus. Ah! que bem satisfarás a Deus desta maneira tua primei­ra dívida!

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